A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou nesta segunda-feira (15) que investiga um dos helicópteros envolvidos na colisão aérea no Rio de Janeiro, ocorrida no domingo (14), sob suspeita de transporte clandestino de passageiros. A informação foi divulgada pelo presidente do órgão, Thiago Faierstein, à GloboNews e confirmada pela Anac à reportagem.
O acidente aconteceu sobre o bairro Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste do Rio, e resultou na morte de seis pessoas: dois pilotos e quatro passageiros. O helicóptero de prefixo PP-MAC não possuía autorização para transporte remunerado, mas transportava o youtuber argentino Gaspi, o cantor americano Oliver Tree, o produtor musical Lucas Frota e o cineasta argentino Lucas Vignale, além do piloto Alexandre Souza. Todos faleceram na queda, que seguia para Angra dos Reis (RJ).

Indícios de irregularidade
Segundo a Anac, a apuração preliminar coletou indícios de que a aeronave estava sendo utilizada para transporte pago, algo não permitido por sua licença, que autorizava apenas transporte do proprietário e de convidados. A empresa dona do helicóptero já havia sido alvo de investigação da Anac em março de 2025 por possível transporte irregular. Na ocasião, a agência intimou a empresa a prestar informações, mas não obteve resposta, o que, segundo o órgão, “impossibilitou a análise da ocorrência”.
Diante do descumprimento, a Anac aplicou multa de R$ 8.000 e incluiu a aeronave PP-MAC em uma lista de alvos prioritários de fiscalização. Durante a “Operação Voe Seguro”, realizada em 2025 e 2026, 43 aeronaves e 47 tripulantes foram fiscalizados em dois dias, mas o helicóptero não foi encontrado. “Nessas fiscalizações, a aeronave PP-MAC não foi encontrada”, diz nota da Anac.
Outro helicóptero e contrato com a prefeitura
O segundo helicóptero, de prefixo PR-DJJ, seguia para a região serrana do Rio e era pilotado por Charles Marsillac, que também morreu. A Anac considera irregular o contrato de prestação de serviços de transporte entre o proprietário da aeronave, Maurício da Cunha e Silva, e a Prefeitura do Rio. Em troca de horas de voo para o município, o dono recebeu acesso ao heliponto da Lagoa Rodrigo de Freitas. Procurados, Maurício e a prefeitura não se manifestaram.
A Anac reforçou que “aeronaves privadas não certificadas para transporte não podem receber compensação para realizar voos. Aeronaves desse tipo devem ser utilizadas para benefício do seu proprietário ou operador e seus convidados. O transporte não pode ser cobrado”.
Investigação e próximos passos
O presidente da Anac, Thiago Faierstein, declarou: “Precisamos verificar se essas aeronaves — ou pelo menos uma delas, a que estava com passageiros — estavam realizando o que a gente chama de transporte aéreo clandestino. Nós temos várias denúncias e algumas investigações em curso.” Ele ressaltou que os dois pilotos eram experientes e que as aeronaves estavam em situação regular no momento do acidente, ponto já mencionado pelo prefeito Eduardo Cavaliere (PSD) no domingo.
O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), ligado à Força Aérea Brasileira, conduzirá inquérito para apurar as causas da colisão. A Anac não estipulou prazo para concluir sua investigação: “Não é possível definir neste momento quanto tempo durará esse trabalho, visto que depende do recebimento de respostas dos interessados e respectivas análises técnicas para emissão de parecer final e adoção das providências administrativas cabíveis, se houver. É precipitado fazer qualquer associação entre a modalidade do voo e o acidente.”