A CEO da COP30, Ana Toni, afirmou que o esperado mapa do caminho para ajudar países a abandonar combustíveis fósseis será divulgado até a COP31, marcada para novembro deste ano na Turquia. A declaração foi feita à Folha momentos antes do encerramento da primeira conferência Taff (Transitioning away from fossil fuels), realizada em Santa Marta, na Colômbia. O encontro surgiu em meio a críticas ao formato das cúpulas climáticas da ONU.

Contexto e desdobramentos da COP30

Apesar de críticas, a COP30 em Belém deixou marcas, como a criação do SPGET (Painel Científico para a Transição Energética Global), um painel internacional de especialistas liderado pela USP e focado em auxiliar países na transição energética. A ideia partiu da própria Ana Toni. Segundo ela, sentiu-se um reconhecimento sobre o início do debate da transição para longe dos combustíveis fósseis na COP30. Ao final da conferência, o presidente da COP30, André Corrêa do Lago, comprometeu-se a formular um roteiro para o fim dos combustíveis fósseis, fora do arcabouço da ONU, já que a inclusão do tema no texto final foi bloqueada por países ligados ao petróleo.

O mapa do caminho e a Taff

Ana Toni disse que o mapa está em desenvolvimento e que as primeiras sugestões foram apresentadas durante as reuniões climáticas em Bonn, na última sexta-feira (12). Na Taff, o objetivo foi ouvir debates e ideias para subsidiar o roadmap. A CEO destacou que o encontro permitiu trocas genuínas entre países sobre o que funcionou ou não em suas transições, o que deve dar segurança para acelerar o processo. Ela ressaltou que a Taff não substitui o processo multilateral, mas o complementa, fortalecendo-o.

“A gente está comprometido em entregar [o mapa] antes da COP31”, afirmou Ana Toni.

Lobby do petróleo e críticas às COPs

Ana Toni negou ter sentido pressão do lobby fóssil nas conferências, seja na Taff ou nas COPs. Ela mencionou que há um debate sobre transparência na participação de delegados, mas que isso parte dos governos nacionais, que concedem credenciais. Em sua experiência, as conversas que orientam posições governamentais ocorrem antes das COPs.

Sobre as críticas aos modelos de COP, a economista afirmou que são bem-vindas e devem ser levadas a sério, mas lembrou que o Acordo de Paris tem apenas dez anos e já reduziu a projeção de aumento de temperatura de 4,5°C para 2,5°C. Ela reconheceu a necessidade de ajustes, mas defendeu que o processo funciona e que a criação de outro mecanismo não facilitaria a transição.

Complexidade da transição energética

Ana Toni destacou a complexidade de abandonar um modelo econômico baseado em combustíveis fósseis por 200 anos, citando o presidente Lula. A transição exige segurança energética, econômica e social. Ela afirmou que o debate sobre segurança ampla é parte do processo, especialmente em meio a conflitos globais que mostram que depender apenas de fósseis não garante segurança.

Perfil de Ana Toni

Nascida em São Paulo, Ana Toni é economista, doutora em ciência política pela UERJ, com mestrado na London School of Economics. Foi diretora-executiva do Instituto Clima e Sociedade, secretária nacional de Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente, presidente do Conselho do Greenpeace Internacional e diretora da Fundação Ford no Brasil.