O grupo chinês Alibaba, um dos maiores no comércio de tecnologia eletrônica do mundo, processou o governo dos Estados Unidos, nesta 3ª feira (23.jun.2026), depois de ter sido incluído em uma lista de empresas chinesas que o Departamento de Defesa norte-americano vinculou às Forças Armadas do país. As informações são da Reuters. Leia a íntegra da petição inicial (PDF – 258 kB, em inglês).
A ação foi apresentada no tribunal federal de San Jose, na Califórnia. Em 8 de junho, o Pentágono adicionou mais 188 empresas à lista de “empresas militares chinesas” que, segundo o governo, serviriam como meio para que as Forças Armadas da China explorem o setor privado em busca de avanços tecnológicos. Leia a íntegra da lista (PDF – 227 kB, em inglês).
De acordo com os EUA, a Alibaba é uma “contribuinte de fusão militar-civil para a base industrial de defesa chinesa” por meio de uma afiliação com o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China. O governo norte-americano também alega que a empresa tem ligações indiretas com o SASAC, órgão regulador de ativos estatais da China.
A Alibaba disse que as afirmações “não têm qualquer fundamento em fatos ou na lei”, e que sua gestão é formada por um conselho independente que “não possui qualquer ligação com as Forças Armadas“.
“[Os] produtos e serviços são voltados para varejo, logística e tecnologia da informação empresarial, não para armas, defesa ou inteligência. Rotular o Alibaba como uma empresa militar chinesa é classificá-la como um instrumento das Forças Armadas chinesas e uma ameaça à segurança nacional dos EUA. Essa designação prejudica diretamente a reputação do Alibaba e lança uma sombra sobre todos os relacionamentos que a empresa mantém com os EUA”, afirmaram.
De acordo com a Reuters, um porta-voz do Pentágono se recusou a comentar sobre o caso, afirmando que a agência não discute processos judiciais em andamento.
Entre as empresas que entraram para a lista está a Baidu, as montadoras BYD, a NIO, e a WuXi AppTec, que entrou com uma ação judicial semelhante em 11 de junho.
“RESPOSTA” DA CHINA
Em retaliação às medidas contra suas empresas e para proteger seus interesses estratégicos, a China incluiu, na última 2ª feira (22.jun.2026), 10 empresas dos EUA em sua própria lista de controle de exportações, proibindo a venda de produtos chineses de uso duplo (com aplicações civis e militares) para essas companhias. A medida também impede que terceiros transfiram esses produtos chineses às empresas afetadas.
A decisão atinge principalmente empresas ligadas à defesa, drones, tecnologia militar e terras-raras, incluindo fabricantes de equipamentos militares e produtoras de minerais estratégicos, como MP Materials e USA Rare Earth. O movimento aumenta ainda mais a tensão comercial e tecnológica entre os 2 países, mostrando que o país asiático pretende responder a novas ações dos norte-americanos com medidas equivalentes.