A seleção alemã de futebol, tetracampeã mundial em 2014, enfrentou um período de declínio acentuado após o título conquistado no Brasil. A equipe, que parecia ter encontrado uma fórmula definitiva baseada em organização e eficiência, acumulou fracassos em competições importantes, levando a uma profunda reflexão sobre seu modelo de jogo.

De acordo com a análise, a Alemanha experimentou o conceito filosófico do "Eterno Retorno", de Friedrich Nietzsche, no qual os ciclos de triunfo e colapso se repetem. Após a vitória por 7 a 1 sobre o Brasil na semifinal de 2014, o time passou por sucessivas decepções: medalha de prata nas Olimpíadas de 2016, três eliminações na Eurocopa (semifinal em 2016, oitavas em 2021 e quartas em 2024, esta última em casa) e duas eliminações na primeira fase da Copa do Mundo, em 2018 e 2022.

A tentativa de prolongar o estilo de posse de bola e controle, semelhante ao espanhol, mostrou-se ineficaz diante da evolução dos adversários e do aumento da velocidade do jogo. O fracasso na Copa de 2022 culminou na demissão do técnico Hansi Flick, algo raro na história da federação, que teve apenas doze treinadores em cem anos.

Desde outubro de 2023, sob o comando de Julian Nagelsmann, a Alemanha abandonou a cópia de modelos externos e voltou a priorizar imposição física, pressão alta e transições rápidas. Apesar da eliminação para a Espanha na Euro 2024, a equipe apresentou seu melhor futebol em anos, com mais de 70% de posse de bola nas eliminatórias, mas com intenção agressiva de manter o adversário em seu campo e acelerar as jogadas.

O time conta com talentos como Jamal Musiala e Florian Wirtz, embora ambos tenham enfrentado dificuldades recentes. Musiala sofreu uma lesão grave no Mundial de Clubes e ficou seis meses afastado, enquanto Wirtz teve problemas de adaptação no Liverpool. A falta de um centroavante dominante é uma carência: Kai Havertz, a principal opção, é versátil mas não um finalizador nato, e Nick Woltemade, de 1,98m, ainda busca afirmação.

Na defesa, zagueiros como Rudiger, Jonathan Tah e Schlotterbeck oferecem segurança e bom jogo aéreo, mas a recomposição defensiva ainda sofre com contragolpes. A lateral direita é uma lacuna, forçando o meio-campista Kimmich a atuar improvisado na posição. O meio-campo tem qualidade com Goretzka e Pavlovic, e no ataque Leroy Sané traz velocidade. No gol, Manuel Neuer retorna em boa forma.

A Alemanha chega à Copa do Mundo de 2026 em processo de reconstrução, com um estilo que mescla intensidade e talento, mas ainda busca consistência para voltar ao topo.

Com informações de ge — Globo Esporte.