A Airbus está hesitante sobre o lançamento de uma versão de maior porte do avião A220, devido à resposta morna de grandes empresas de leasing e a um debate interno sobre alcance e desempenho, de acordo com seis fontes do setor ouvidas pela agência Reuters.

Após despertar o interesse de compradores no início de 2024 para um possível lançamento no Farnborough Airshow, em julho, a companhia reduziu as expectativas. Um executivo sênior da Airbus afirmou que o lançamento no evento agora é "pouco provável", embora a fabricante não tenha descartado que ocorra ainda neste ano.

"Estamos estudando todas as opções; nenhuma decisão foi tomada", disse um porta-voz da Airbus.

Uma versão maior do A220 permitiria à Airbus renegociar contratos com fornecedores e reduzir custos de produção, o que poderia ajudar a reverter o prejuízo do programa, comprado por um dólar em 2018 da canadense Bombardier. O programa A220 continua no vermelho e tem perdido pedidos para a brasileira Embraer.

Segundo fontes internas, a Airbus tem promovido uma atualização relativamente modesta, conhecida como "alongamento simples", sem aumento no peso máximo de decolagem ou atualização custosa nos motores Pratt & Whitney. O avião transportaria cerca de 180 pessoas, contra 160 atualmente, com redução de cerca de 10% nos custos por assento, mas com menor alcance, disseram duas pessoas familiarizadas com o projeto.

Nem todas as companhias aéreas querem abrir mão do alcance, reduzindo o grupo de potenciais clientes. Além disso, companhias aéreas reunidas no Brasil para uma cúpula da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) ainda estão ressentidas com problemas de durabilidade nos motores Pratt & Whitney existentes.

"As companhias aéreas possivelmente estão convencidas da economia, mas não necessariamente do desempenho", disse o analista de aviação Rob Morris. A RTX, controladora da Pratt & Whitney, não quis comentar.

A Airbus estava mais otimista em janeiro, dizendo a financiadores que 2026 seria um "grande ano" para o A220. Cinco meses depois, potenciais compradores afirmam que ainda não receberam detalhes esperados se o avião estivesse perto de ser lançado.

"Uma das questões que teremos que examinar é o alcance da aeronave", disse o diretor de operações da Air Canada, Mark Nasr, à Reuters.

A pressão para apresentar algo novo diminuiu quando a AirAsia fez um pedido de 150 unidades do modelo existente. "Continua sendo uma questão de quando... e não se, mas não é agora", disse o CEO da Airbus, Guillaume Faury, em abril, referindo-se ao lançamento do A220 maior.

A Airbus também estuda o possível impacto nas vendas de sua principal família de fuselagem estreita A320neo, que fica logo acima do proposto A220-500 em tamanho. Empresas de leasing estão preocupadas em prejudicar os valores do A320neo. "As empresas de leasing estão tão expostas ao A320 que a última coisa que precisam é de qualquer novidade", disse uma fonte sênior do setor.

O analista Rob Morris, no entanto, afirmou que isso não deveria atrasar o projeto indefinidamente: "As empresas de leasing do A320 devem ficar bem: o mercado para o avião tem liquidez suficiente e uma base de clientes forte."

Com informações de Folha — Mercado.