A Vila da Barca, em Belém, uma das maiores comunidades sobre palafitas da América Latina, passou a contar com água tratada e coleta de esgoto depois de quase um século de ocupação. A mudança foi viabilizada por uma obra de engenharia sanitária da concessionária Aegea, que investiu R$ 7 milhões para adaptar a infraestrutura às condições da região, localizada às margens da Baía do Guajará.

O projeto foi executado em sete meses e atende cerca de 5 mil moradores distribuídos em 1,3 mil residências. A solução incluiu a instalação de redes elevadas, sistemas de bombeamento e uma adutora, em um modelo desenhado especificamente para áreas de ocupação sobre palafitas, onde obras convencionais de saneamento enfrentam limitações físicas e ambientais.

Experiência anterior e escala

A tecnologia aplicada em Belém foi utilizada pela primeira vez pela Aegea em Manaus, no Beco Nonato, outra comunidade de palafitas que recebeu água e esgoto em 2023. Agora, a experiência ganha escala na capital paraense, em uma área historicamente associada aos desafios de infraestrutura urbana e saneamento na Amazônia.

A Vila da Barca ganhou visibilidade durante a COP30, realizada em novembro do ano passado, quando foi apontada como um dos símbolos da desigualdade sanitária da capital paraense.

Plano de expansão

A intervenção na Vila da Barca faz parte do plano de expansão da Aegea no Pará. A companhia prevê investir quase R$ 19 bilhões na universalização dos serviços de água e esgoto em 126 cidades paraenses, no que classifica como o maior programa de saneamento já realizado na Amazônia Legal.