A Adidas, que havia sido elogiada por uma colaboração com artesãs mexicanas da comunidade de Naupan, no estado de Puebla, agora enfrenta uma denúncia de exploração trabalhista. Uma investigação publicada pela revista mexicana Proceso revelou que as artesãs receberam o equivalente a US$ 1,80 por hora pelo trabalho de bordados à mão aplicados em peças da coleção, incluindo o uniforme da seleção do México para a Copa do Mundo.
A parceria inicial
Na semana anterior, a colaboração havia sido tema de uma reportagem que celebrava o uso de um código QR como “decisão criativa que dá credibilidade ao projeto”. O texto original afirmava que “a transparência transforma posicionamento em compromisso verificável”. A ideia era que o código QR permitisse aos consumidores rastrear a origem das peças e conhecer as bordadeiras.
A denúncia
Quatro dias depois da publicação da reportagem, a revista Proceso, com reportagem de Niza, verificou os bastidores da parceria. A investigação constatou que, apesar do discurso de valorização do trabalho artesanal, as artesãs de Naupan recebiam uma remuneração que equivalia a US$ 1,80 por hora — valor muito abaixo de um salário digno no México. A denúncia coloca em xeque a transparência prometida pela Adidas e levanta questões sobre práticas trabalhistas em cadeias de produção de grandes marcas esportivas.
Até o momento, a Adidas não se pronunciou oficialmente sobre a reportagem. A comunidade de Naupan, conhecida por sua tradição têxtil, continua aguardando esclarecimentos e uma revisão das condições de pagamento.