A Suíça comunicou que as negociações entre Estados Unidos e Irã, previstas para esta sexta-feira (19), não ocorrerão. O vice-presidente americano, JD Vance, desistiu de viajar para o resort suíço de Burgenstock, onde as conversas seriam realizadas. A informação foi divulgada por um porta-voz da Casa Branca na quinta-feira (18), que afirmou: “A logística dessas negociações nunca foi simples nem previsível”.
Negociações adiadas e incertezas
A delegação dos EUA estava pronta para partir assim que os planos fossem finalizados, mas o Ministério das Relações Exteriores da Suíça anunciou o adiamento. O comunicado suíço acrescentou que o país continua disposto a facilitar as conversas e que os trabalhos preparatórios em Burgenstock prosseguem. O Irã não respondeu imediatamente; antes, a agência Tasnim informou que os negociadores iranianos precisavam ver sinais de que os EUA estavam implementando o acordo provisório de 14 pontos firmado na quarta-feira, que estendeu um frágil cessar-fogo por pelo menos 60 dias.

Guerra e impactos
O conflito começou em 28 de fevereiro com ataques aéreos dos EUA e de Israel contra o Irã, resultando em pelo menos 7 mil mortos, disparada nos preços de energia e abalo nos mercados globais. Israel, excluído das negociações, manteve os combates contra o Hezbollah no Líbano, levantando dúvidas sobre a sustentabilidade do acordo. Em Washington, aliados republicanos do presidente Donald Trump questionaram se ele cedeu demais para encerrar a guerra, impopular entre os norte-americanos às vésperas das eleições de meio de mandato.
Acordo provisório em xeque
Trump havia jurado obter a “rendição incondicional” do Irã, mas o memorando assinado prevê alívio de sanções econômicas, descongelamento de ativos bilionários e isenções para exportações de petróleo iraniano. O líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, afirmou que Trump assinou “por desespero” e sinalizou que as negociações sobre o programa nuclear não serão fáceis. “Se o lado norte-americano quiser ser excessivamente exigente, não aceitaremos isso”, declarou. O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã prometeu resposta recíproca a qualquer violação.
O acordo concede 60 dias para consenso sobre o programa nuclear, a menos que haja prorrogação, e cria um fundo de reconstrução de US$ 300 bilhões para o Irã, além de outros incentivos. Vance disse que Washington buscará limitar os mísseis de longo alcance iranianos. O Pentágono informou ao Congresso que precisa de US$ 80 bilhões para cobrir custos da guerra, segundo o Wall Street Journal.
Reações e desdobramentos
Críticos apontam que o Irã saiu fortalecido, resistindo ao ataque de uma superpotência, consolidando controle sobre o Estreito de Ormuz e obtendo isenções de sanções. O Irã afirmou que continuará a controlar a via navegável em parceria com Omã e pretende cobrar taxas de serviço de navios. Os preços do petróleo caíram nesta sexta-feira, com a perspectiva de maior oferta após petroleiros voltarem a transitar pelo estreito.
No Líbano, novos ataques israelenses mataram ao menos 18 pessoas, segundo a agência NNA, deixando mais de um milhão de deslocados. O acordo prevê o “fim definitivo” da guerra no Líbano, mas Israel não demonstra intenção de se retirar e apresentou uma zona de ocupação ampliada. Trump passou a criticar abertamente as operações israelenses, gerando uma das maiores rupturas entre os dois países em décadas.