O acordo entre Estados Unidos e Irã foi concluído de maneira inusitada: por meio de assinatura eletrônica, longe de cerimônias presenciais que poderiam gerar complicações diplomáticas ou de segurança. No domingo, 14 de junho, o presidente Donald Trump e o vice-presidente JD Vance assinaram remotamente um Memorando de Entendimento (MOU) em nome dos EUA, enquanto o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, fez o mesmo pelo lado de Teerã.

Razões para o formato virtual

A opção pelo formato digital não foi uma simples questão de logística. De acordo com fontes da Casa Branca, pesaram motivos de segurança e agilidade. Evitou-se a exposição de apertos de mão que poderiam ser explorados por radicais de ambos os lados, além de prevenir vazamentos que complicassem as negociações. A assinatura remota garantiu sigilo e rapidez ao processo.

Cláusulas principais do acordo

O texto central do pacto é claro, segundo as fontes: o Irã nunca terá arma nuclear. Logo após desembarcar em Evian, na França, Trump declarou a repórteres: “O acordo já está assinado. E o estreito já está parcialmente aberto, como vocês sabem. Na sexta-feira, estará totalmente aberto.”

JD Vance, que assumiu papel de destaque nas negociações a pedido de Trump, reforçou que a assinatura digital ocorreu no domingo, mas que não houve liberação imediata de recursos. Autoridades americanas afirmam, reservadamente, que qualquer alívio econômico ou desbloqueio de fundos congelados depende do cumprimento das metas pelo Irã.

Os principais pontos do Memorando de Entendimento, conforme relatos de autoridades seniores dos EUA, incluem:

  • Reabertura imediata (ou em poucos dias) do Estreito de Ormuz, após desminagem, liberando o fluxo global de petróleo. Este é o ganho prático e econômico mais imediato.
  • Cessar-fogo de 60 dias, com foco em encerrar confrontos diretos no Golfo e, possivelmente, influenciar o Líbano, embora Israel já tenha sinalizado resistência em relação ao Hezbollah.
  • Janela de 60 dias para negociações técnicas mais profundas, abrangendo limites de enriquecimento, inspeções rigorosas e um pacote completo de alívio de sanções condicionado a resultados concretos.
  • Manutenção da postura militar americana atual durante esta fase, com redução gradual de forças prevista apenas após um acordo final mais robusto.

Protagonismo de Vance e mediação

O vice-presidente Vance ganhou protagonismo porque Trump o colocou no centro das negociações. Uma autoridade de alto escalão revelou que os americanos ficaram “insatisfeitos” com o desempenho de Omã nas rodadas anteriores à guerra e mudaram o eixo de mediação. Paquistão e Catar ajudaram a costurar o entendimento final.

Desmentido a versão iraniana

A versão vazada pelo lado iraniano, que pintava o acordo como mais generoso para Teerã, foi rapidamente desmentida por Trump e Vance. Não houve liberação imediata de bilhões em ativos congelados. Segundo os EUA, a porta está entreaberta e a bola agora está com o Irã.

Próximos passos

O texto completo do Memorando deve ser divulgado nas próximas 24 a 48 horas. Uma cerimônia formal está prevista para 19 de junho em Genebra, possivelmente com a presença de Vance ou do próprio Trump após o G7. A assinatura virtual serviu para agilizar e proteger o processo.

Em Washington, a avaliação interna é de que se trata de uma vitória diplomática com a marca de Trump: pragmatismo, pressão máxima anterior e agora um acordo que mantém a vantagem americana enquanto abre caminho para uma desescalada controlada. Vance chamou o resultado de “grande vitória”. O estreito de Ormuz começa a respirar de novo, mas o jogo continua.