Um acordo entre os Estados Unidos e o Irã colocou fim à guerra iniciada em 28 de fevereiro, após ataques surpresa de Israel e dos EUA que mataram o líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei (1939-2026), e centenas de civis. O memorando de entendimento, ainda não divulgado integralmente, reabre o estreito de Ormuz e estabelece um cessar-fogo, mas adia as questões mais complexas — como o programa nuclear iraniano e a redução de sanções — para negociações futuras.
Contexto do conflito
No dia 28 de fevereiro, forças dos Estados Unidos e de Israel lançaram uma ofensiva contra o Irã. Israel matou o aiatolá Khamenei e seus assessores próximos, enquanto um ataque americano destruiu uma escola em Minab, no sul do Irã, matando mais de 150 civis, entre eles pelo menos 120 crianças. O presidente americano Donald Trump e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu anunciaram o início da guerra, prevendo uma campanha curta e decisiva, mas a resistência iraniana se mostrou mais forte do que o esperado.

A estratégia iraniana de fechar o estreito de Ormuz — ponto de passagem de cerca de 20% do petróleo e gás natural mundial — provocou impacto na economia global e no abastecimento de fertilizantes, ameaçando a segurança alimentar de países pobres, especialmente na África subsaariana. O bloqueio dos portos iranianos pela marinha dos EUA também foi levantado pelo acordo.
O acordo e seus termos
Negociadores afirmam que o memorando de entendimento tem 14 pontos em duas páginas, mas o texto completo não foi publicado. O documento prevê:

- Reabertura do estreito de Ormuz para navios.
- Extensão do cessar-fogo.
- Levantamento do bloqueio naval dos EUA aos portos iranianos.
- Retomada de negociações sobre o programa nuclear iraniano e o nível de redução de sanções.
O acordo foi recebido com alívio por civis que tiveram suas vidas afetadas pelo conflito. No entanto, não se trata de um tratado de paz, e as negociações futuras deverão tratar de temas sensíveis como o enriquecimento de urânio e as sanções econômicas.
Consequências geopolíticas
A guerra prejudicou as alianças dos EUA com as monarquias árabes do Golfo Pérsico. Autoridades desses países já discutem em privado a diversificação de alianças e a necessidade de conviver com o Irã. A China observou atentamente o desgaste dos estoques militares americanos, expondo os limites do poderio dos EUA.

Israel, parceiro integral na guerra, foi excluído das negociações do acordo e observa o desfecho com decepção. Netanyahu, que declarou esperar pela chance de destruir a República Islâmica, agora enfrenta críticas de oponentes políticos e pressão de setores linha-dura que pedem novas ofensivas no Líbano, Síria e Gaza. O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou que o país manterá indefinidamente a ocupação de terras nessas regiões.
O ataque aéreo de Israel aos subúrbios de Beirute em 7 de junho foi visto como uma tentativa de sabotar as negociações, mas acabou acelerando o acordo. Trump manifestou frustração com Netanyahu em entrevistas recentes, indicando tensões na aliança entre os dois países.
Futuro incerto
Embora o acordo represente uma pausa no conflito, analistas destacam a falta de confiança entre as partes. O regime iraniano, fortalecido pela sobrevivência, continua a governar com mão de ferro — em janeiro, milhares de cidadãos foram mortos em protestos. Os EUA mantêm seu poderio, mas a guerra revelou que a decisão impulsiva de Trump de atacar o Irã foi um passo de uma superpotência lutando para manter seu domínio em um mundo em transformação.