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Novas regras de atendimento médico na Copa deixam jogadores mais de 1min fora de campo Uma mudança nas regras do futebol já tem efeito direto na Copa do Mundo de 2026. A cena do jogador caído no chão, se contorcendo de dor, ficou rara no torneio. As equipes médicas quase não têm entrado mais em campo, e os jogadores têm dispensado o atendimento para continuar em campo jogando. Até aqui, a equipe do Gato Mestre* contabilizou 12 casos em que o árbitro orientou o jogador a se dirigir à beira do campo e cumprir um minuto fora de jogo. O número de atendimentos real pode ser um pouco maior. Isso porque a transmissão da partida nem sempre deixa claro se a regra foi aplicada. Mas o efeito da mudança já é visível em campo. + Como ficaria o mata-mata da Copa? Veja os melhores terceiros e os duelos no momento + Chances da Copa: Brasil está classificado pelas projeções do Gato Mestre + Veja o ranking da Fifa após a 2ª rodada da Copa do Mundo 2026 A International Football Association Board (IFAB), organização que escreve as leis do futebol há mais de 140 anos, definiu que os jogadores devem permanecer um minuto fora de campo toda vez a partida for interrompida para o atendimento do atleta. A nova regra integra o pacote de medidas da Fifa para combater a perda de tempo e aumentar o período de bola rolando no futebol. E os números mostram que ela tem funcionado. Ismaïla Sarr pede atendimento e fica um minuto fora de campo em França x Senegal Image Photo Agency/Getty Images A "punição" de um minuto fora de campo já está fazendo os jogadores reavaliarem a dor antes de pedir atendimento. No dia da estreia da Copa do Mundo, o primeiro exemplo veio à tona, na vitória da Coreia do Sul por 2 a 1 sobre a República Tcheca. Aos 36 minutos do segundo tempo, o camisa 8 Paik Seung-Ho se sentou no gramado e se alongou por causa de uma cãibra. O árbitro egípcio Amin Mohamed se aproximou, perguntou se ele precisaria de atendimento médico e avisou que, nesse caso, teria de cumprir um minuto fora. Paik recusou e se levantou. Com a Coreia à frente no placar, ficar com um jogador a menos, ainda que por pouco tempo, poderia custar os três pontos. Paik Seung-Ho em ação pela Coreia do Sul contra a República Tcheca Michael Regan - FIFA/FIFA via Getty Images + Rashford iguala marca de Denílson em Copas do Mundo + Copa do Mundo 2026 leva mais de 3 milhões de torcedores aos estádios + Brasil nunca perdeu para seleções do Reino Unido em Copas do Mundo + Astros dominam artilharia da Copa do Mundo até a 2ª rodada Como toda regra tem sua exceção, a "Lei 5", como foi nomeada pela IFAB, definiu quais casos poderiam liberar o atendimento médico em campo, sem obrigatoriedade do lesionado cumprir o minuto fora de campo. A lista completa das exceções está no fim desta matéria. Aos 11 minutos do primeiro tempo de Canadá x Bósnia, Memic foi atendido após uma falta dura do lateral Johnston, que recebeu cartão amarelo no lance. O meia bósnio não precisou deixar o gramado e voltou a jogar em seguida. A razão está na exceção prevista pela regra: quando a lesão resulta de uma falta punida com cartão, amarelo ou vermelho, o lesionado pode permanecer em campo. Memic sofre falta dura de Johnston em Canadá x Bósnia Mathew Tsang/Icon Sportswire via Getty Images A primeira aplicação da regra registrada pela equipe do Gato Mestre* foi em Holanda x Japão. Kubo machucou o joelho e pediu atendimento. Orientado pelo árbitro, deixou o campo, foi tratado na linha lateral enquanto o jogo seguia e, minutos depois, acabou substituído. Ainda na primeira rodada, dois casos em Costa do Marfim 1 x 0 Equador chamaram a atenção. Principalmente o do volante Moisés Caicedo. O árbitro francês François Letexier mandou o equatoriano sair do gramado depois de ele ficar caído no campo de ataque. De início, o jogador do Chelsea pareceu não entender a ordem. Foi contrariado para a lateral e começou a reclamar para poder voltar ao campo, convencido de que já podia voltar. Porém, ainda faltava tempo. Letexier só autorizou o retorno após um minuto e seis segundos. Moisés Caicedo reclama do protocolo de ficar um minuto fora de campo com o árbitro em Equador x Costa do Marfim Simon Stacpoole/Offside/Offside via Getty Images Veja todos os casos registrados da aplicação da regra do minuto fora na Copa do Mundo 2026: Tempos de jogadores fora de campo para atendimento médico em jogos da Copa do Mundo 2026 Kubo em Holanda 2 x 2 Japão: 2 minutos e 54 segundos até ser substituído Moisés Caicedo em Costa do Marfim 1 x 0 Equador: 1 minuto e 6 segundos até voltar ao campo Ordóñez em Costa do Marfim 1 x 0 Equador: 1 minuto e 15 segundos até voltar ao campo Ismaïla Sarr em França 3 x 1 Senegal: 1 minuto e 6 segundos até voltar ao campo Mbappé em França 3 x 1 Senegal: 46 segundos até o árbitro apitar o fim de jogo Casimir em Brasil 3 x 0 Haiti: 1 minuto e 6 segundos até voltar ao campo Aktürkoglu em Turquia 0 x 1 Paraguai: 28 segundos até voltar ao campo Diego Gómez em Turquia 0 x 1 Paraguai: 1 minuto e 11 segundos até voltar ao campo Schlotterbeck em Alemanha 2 x 1 Costa do Marfim: 1 minuto e 15 segundos até voltar ao campo Telmo Arcanjo em Uruguai 2 x 2 Cabo Verde: 1 minuto e 8 segundos até voltar ao campo Kevin Pina em Uruguai 2 x 2 Cabo Verde: 1 minuto e 8 segundos até voltar ao campo Diego Gómez sentiu o joelho direito em Paraguai x Turquia e precisou de atendimento médico Eric Verhoeven/Soccrates/Getty Images Entenda a regra Como funciona o período de um minuto fora do campo de jogo, segundo a IFAB? O período de um minuto fora do campo de jogo tem início quando o jogo é reiniciado. O minuto é cronometrado em tempo corrido e é determinado pelo árbitro, que pode ser auxiliado pelos demais membros da equipe de arbitragem. O jogador só pode retornar com a permissão do árbitro. Ele deve reingressar pela linha lateral se a bola estiver em jogo, mas pode reingressar por qualquer linha de demarcação se a bola estiver fora de jogo. Se o jogador lesionado for substituído, a substituição não é retardada. Se o primeiro tempo terminar antes de transcorrido o minuto, o jogador pode retornar a partir do início do segundo tempo; esse princípio aplica-se a: a) o intervalo entre o fim do tempo normal e o início da prorrogação; b) o intervalo da prorrogação; c) o intervalo entre o fim da prorrogação e as cobranças de pênalti (disputa de pênaltis). O jogador não é obrigado a deixar o campo de jogo por um minuto quando: O jogador sinaliza que não necessita de atendimento médico, exceto quando o jogo tiver sido paralisado em razão da lesão; ou deixa o campo voluntariamente durante o jogo ou em uma paralisação, desde que isso não retarde o reinício; Um goleiro está lesionado; Um goleiro e um jogador de linha colidiram e precisam de atendimento; Jogadores da mesma equipe colidiram e precisam de atendimento; Ocorreu uma lesão grave, sobretudo na cabeça (por exemplo, concussão), problema cardíaco ou evento de risco à vida (por exemplo, convulsão, asfixia etc.); O jogador se lesionou em decorrência de uma falta física pela qual o adversário é advertido ou expulso (por exemplo, entrada imprudente ou falta grave); Foi assinalado um pênalti e o jogador lesionado será o cobrador. Leia a regra ("lei 5) da IFAB na íntegra aqui. IFAB regulamenta as leis do futebol mundial Divulgação / IFAB *Gato Mestre é formado pelos jornalistas Arthur Sandes, Davi Barros, Felipe Tavares, Guilherme Maniaudet, Gustavo Figueiredo, Leandro Silva, Lorrayne Vieira (estagiária), Roberto Maleson, Rodrigo Breves e Valmir Storti, pelos cientistas de dados Bruno Benício e Vitor Patalano e pelo programador Gusthavo Macedo.