Edir MacedoO bispo Edir Macedo. Foto: Danilo Verpa/Folhapress

O BTG Pactual informou à Comissão de Valores Mobiliários que ainda vai avaliar se participa de um eventual processo competitivo para comprar o Banco Digimais, instituição ligada a Edir Macedo. A manifestação ocorreu após a autarquia cobrar explicações sobre notícia de que o banco teria desistido do negócio. Com informações do Uol.

No comunicado, o BTG afirmou que a transação anunciada em abril dependia de condições que não se concretizaram. Segundo o banco, o aviso ao mercado de 8 de abril tratava da celebração de documentos com valor de referência e condições para a aquisição da totalidade das ações do Digimais.

O BTG disse que a conclusão da compra exigia primeiro o lançamento de um processo competitivo e, depois, a declaração de sua proposta como vencedora. A instituição afirmou que nenhuma dessas condições ocorreu até agora.

A resposta foi enviada depois de um ofício da CVM sobre reportagem do Estado de S.Paulo que informava a desistência do BTG. A autarquia determinou que, se a informação fosse verdadeira, o banco explicasse por que não tratou o tema como fato relevante e comentasse outros dados considerados importantes.

O banqueiro André Esteves, do BTG Pactual. Reprodução

Bloqueio da PF e situação financeira do Digimais

O Banco Digimais teve R$ 670,3 milhões bloqueados em uma operação da Polícia Federal realizada na terça-feira. A instituição atua principalmente na concessão de crédito consignado.

Edir Macedo comprou e rebatizou o Digimais em 2020. A instituição tem origem no banco das Lojas Renner, do qual o fundador da Igreja Universal do Reino de Deus era acionista desde 2009; em 2013, ele assumiu 49% do banco e passou sete anos buscando autorização do Banco Central para se tornar controlador.

A autorização saiu durante a gestão de Roberto Campos Neto no Banco Central, entre 2019 e 2024. O Digimais afirma ter mais de 145 mil clientes e 150 colaboradores, com presença nos principais estados do país e maior concentração nas regiões Sul e Sudeste; emissões de CDBs e letras financeiras subordinadas aparecem como sua principal fonte de captação.

O Digimais registrou prejuízo de R$ 108,7 milhões no primeiro trimestre, após lucro líquido de R$ 31,3 milhões reportado em 2025 e prejuízo de R$ 10,8 milhões no segundo semestre do ano passado. Em nota, o banco disse colaborar com as apurações e reafirmou seu “compromisso com a transparência, a conformidade regulatória e a plena colaboração com as autoridades competentes”.