Um programa criado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima do Rio de Janeiro em 1980 se tornou uma das maiores iniciativas de restauração ambiental urbana do Brasil.

Ao longo de 40 anos, segundo a SMAC, o Mutirão de Reflorestamento foi responsável pelo plantio de cerca de 11 milhões de árvores nativas em áreas degradadas da cidade, como encostas vulneráveis à erosão e a deslizamentos.

A necessidade de reflorestar essas áreas veio do crescimento da urbanização sobre morros cariocas, que hoje correspondem a cerca de 7% da área urbanizada da cidade.

O programa se tornou parte do projeto Refloresta Rio, que atua em ambientes de Mata Atlântica e ecossistemas associados.

A iniciativa, de acordo com a prefeitura do RJ, mantém cinco viveiros de mudas com capacidade para produzir mais de um milhão de plantas por ano, pertencentes a 200 espécies de árvores e 130 espécies de arbustos nativos, além de herbáceas e trepadeiras.

As raízes das árvores replantadas ajudam a estabilizar o solo das encostas e reduzem os riscos de erosão superficial. Outro benefício é recomposição da camada de matéria orgânica compactada sobre o solo (formada por folhas e galhos das árvores), que amortece os impactos da chuva e favorece a infiltração gradual da água.

A redução dessa energia de escoamento superficial faz com que os morros fiquem protegidos de episódios de deslizamentos e enxurradas.

Além da proteção física do terreno, a vegetação também melhora a estrutura do solo ao longo do tempo, tornando-o mais poroso e rico em matéria orgânica, o que aumenta sua capacidade de absorver água sem saturar rapidamente.

Segundo a SMAC, o combate às espécies invasoras, especialmente gramíneas exóticas, é parte central do manejo das áreas reflorestadas. O trabalho envolve capina seletiva, abertura de aceiros e manutenção contínua até que a vegetação nativa se torne dominante.

O trabalho começa nos viveiros, onde sementes são coletadas, selecionadas e transformadas em mudas. Depois, equipes técnicas avaliam quais espécies têm maior potencial de sobrevivência em cada área, considerando solo, insolação, altitude e nível de degradação.

Entre os projetos em andamento está o reflorestamento da Floresta da Posse, que busca conectar áreas dos maciços da Pedra Branca e do Mendanha, uma área de corredor ecológico essencial para a preservação da diversidade genética e florestal da Mata Atlântica, o bioma mais degradado do país.

Em média, o município planta 150 mil árvores por ano, e a população recebe um auxílio financeiro na faixa de R$ 1.000 a R$ 1.300 para auxiliar no replantio e na manutenção das espécies.

Segundo a prefeitura, mais de 10 mil voluntários já participaram do mutirão, e o programa contava, em 2022, com cerca de 500 mutirantes ativos.

“Os ganhos do programa podem ser vistos por todo o município, desde a Zona Sul, com o exemplo clássico do Morro Dois Irmãos, até os bairros de Jacarepaguá, Bangu e Campo Grande, que apresentam maior extensão em área reflorestada”, afirma o portal.

No total, o Refloresta Rio atua em 94 dos 162 bairros cariocas.