Um levantamento inédito da empresa Palver, que monitorou mais de 100 mil grupos públicos de WhatsApp e Telegram, indica que 81% das mensagens opinativas responsabilizam direta ou indiretamente o senador Flávio Bolsonaro (PL) pelas novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros. Considerando mensagens neutras e compartilhamentos automáticos, 52% do total das publicações já apresentam conteúdo desfavorável ao senador, segundo informações da Folha de S.Paulo desta quinta-feira (4/06).

O tarifaço de 25% ameaçado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, atinge um ponto sensível da economia brasileira: o Pix, sistema de pagamentos instantâneos que movimentou R$ 35,4 trilhões no último ano e é usado por 93% da população. A medida, justificada por Trump com alegações que vão desde práticas comerciais até o sistema de pagamentos, reacendeu o debate sobre custo de vida e segurança pública, dois temas centrais na corrida presidencial de 2026.

Disputa narrativa nas redes

Segundo a reportagem, apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passaram a explorar politicamente o tema com termos como “Tariflávio” e acusações de “traição à pátria”. Do outro lado, aliados de Flávio tentam rebater, argumentando que as acusações são desinformação e que a atuação do senador nos EUA focou o combate ao crime organizado e a defesa do Pix. O cientista político Benedito Tadeu Cesar observa que, se o tarifaço impactar os preços internos e acelerar a inflação, Lula pode responsabilizar Flávio pelo aumento do custo de vida.

Flávio Bolsonaro já reagiu, escrevendo uma carta ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, pedindo moderação nas tarifas. No entanto, o dano político pode estar consolidado. Pesquisa Real Time Big Data divulgada na última segunda-feira já mostrava que o encontro com Trump não estancara a queda de Flávio nas intenções de voto, e o cenário favorece a emergência de um terceiro polo, como o governador Ronaldo Caiado (PSD), que em simulação de segundo turno aparece tecnicamente empatado com Lula.

Eleição de 2026 ganha novo rumo

Para o PT, a estratégia é dupla: atacar Flávio com a associação à carestia e aos humores de Trump, ao mesmo tempo em que apresenta Lula como o estadista que protege conquistas como o Pix. Se a narrativa de que “o custo de vida subiu porque os Bolsonaro aliaram-se a Trump” emplacar, o jogo eleitoral pode virar. A eleição de 2026, segundo analistas, não será apenas entre esquerda e direita, mas entre a estabilidade econômica e a aventura externa.

Com informações de Revista Fórum.