Entre 17 de abril e a última quarta-feira (17), 796 pinguins-de-magalhães foram encontrados mortos nas praias de Florianópolis (SC), conforme balanço divulgado pela Associação R3 Animal, responsável pelo resgate de animais na região. Do total, 481 carcaças foram registradas entre a última sexta-feira (12) e a quarta-feira (17).
A entidade considera que o número de óbitos está dentro da normalidade. O quadro tem relação com a rota migratória da espécie, que todos os anos viaja do sul da Argentina até o litoral brasileiro, especialmente para as regiões Sul e Sudeste. Durante o percurso, muitos animais encalham sem vida ou chegam debilitados, com sinais de desnutrição e hipotermia.
Migração e causas das mortes
Em nota, a técnica de monitoramento da R3 Animal, Mariê Loro, explicou que, nos meses mais frios, os pinguins-de-magalhães partem do sul do hemisfério, principalmente da Patagônia Argentina, em busca de alimentos em alto-mar. “Muitos animais jovens e inexperientes chegam às nossas praias caquéticos e hipotérmicos. Infelizmente, muitos não resistem à exaustiva jornada”, afirmou.
O primeiro pinguim morto neste ano foi registrado em 17 de abril. O fenômeno deve se repetir até setembro ou outubro, quando os animais retornam às suas colônias reprodutivas.
Resgates e encaminhamento
Desde o início do outono, a R3 Animal já socorreu 73 pinguins vivos encontrados na areia. Em 2025, o total de pinguins mortos na capital catarinense foi de 2.615, e 120 animais foram resgatados com vida ao longo do ano passado. Os animais vivos são levados ao centro de reabilitação da associação e posteriormente devolvidos à natureza.
Segundo a entidade, há registros de pinguins em todas as praias de Florianópolis, especialmente naquelas voltadas para o mar aberto. O trabalho da R3 Animal integra o Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), que atende a uma determinação do Ibama no âmbito do licenciamento ambiental da Petrobras na região.
Orientações à população
Mariê Loro orienta que, ao encontrar um pinguim na areia, a população pode acionar a entidade pelo telefone 0800 642 3341, diariamente das 7h às 17h. Caso o animal esteja no mar, pode ser apenas um indivíduo saudável pescando próximo à costa. A especialista recomenda que as pessoas não devolvam o animal ao mar, não o coloquem em contato com gelo, não tentem alimentá-lo nem fazer carinho, e impeçam a aproximação de animais domésticos.