Um levantamento realizado pela plataforma de música com inteligência artificial Moises, em parceria com a consultoria Water & Music, indica que 78% dos músicos profissionais já utilizam ferramentas de IA em seus fluxos de trabalho. O estudo, conduzido entre novembro e dezembro de 2025 com 1.525 músicos de diferentes níveis, sugere que a adoção da tecnologia não se restringe a curiosos ou produtores iniciantes.

Segundo a pesquisa, os profissionais lideram o uso e têm duas vezes mais probabilidade de investir US$ 50 ou mais por mês em soluções de IA do que músicos novatos. Entre os amadores, a taxa de adoção também é relevante: 60% afirmam usar a tecnologia no processo musical.

O dado mais sensível aparece no bolso. Entre os músicos que geram renda com sua arte, 26% dizem que a IA já aumentou seus ganhos. Na prática, a ferramenta vem sendo usada menos como substituta da criação humana e mais como acelerador de aprendizado, produção e acabamento: 40% recorrem à IA para aprender novas músicas com mais agilidade, 33% para experimentar gêneros musicais e 30% para melhorar a qualidade final das produções.

“A narrativa em torno da IA na música costuma focar no que ela pode substituir, mas o que esses dados mostram é o oposto. Os músicos estão usando a IA para ir mais longe com suas ideias, praticar com mais eficácia e explorar sons que talvez não alcançassem de outra forma”, afirma Geraldo Ramos, CEO da Moises.

Apesar das discussões sobre direitos autorais, autenticidade e substituição de artistas, a pesquisa mostra que a resistência ideológica convive com uma adoção pragmática. Entre os usuários de IA ouvidos no levantamento, 92% dizem que recomendariam essas ferramentas a outros músicos. Nos estúdios, a tecnologia já aparece em tarefas como separação de faixas, aceleração de workflows em softwares de produção e masterização.

Com informações de Veja.