Pesquisa divulgada pela associação de consumidores Proteste nesta quarta-feira (17 de junho de 2026) revela que 70% dos brasileiros se consideram prejudicados pela cobrança de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, conhecida como “taxa das blusinhas”. Apenas 2% dos entrevistados disseram ser beneficiados pela medida, enquanto 28% afirmaram ser indiferentes.

O levantamento ouviu 1.300 consumidores com idade entre 18 e 65 anos e renda familiar mensal superior a R$ 1.600. As entrevistas foram realizadas presencialmente entre 12 e 21 de maio de 2026 em 12 capitais: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Goiânia, Brasília, Recife, Salvador, Fortaleza, Belém e Manaus.

Contexto da tributação

A cobrança de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 em plataformas como Shein, Shopee e AliExpress foi instituída por lei sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em junho de 2024. Em 12 de maio de 2026, Lula assinou uma medida provisória (MP) para revogar o dispositivo legal que criou o imposto.

A MP tem validade até setembro de 2026. Para continuar em vigor, precisa ser analisada por uma comissão mista do Congresso Nacional e depois votada na Câmara dos Deputados e no Senado. Até o momento, o colegiado ainda não foi instalado pelo presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

Impacto fiscal e volume de remessas

Dados da Receita Federal indicam que o governo arrecadou R$ 5 bilhões com o imposto sobre encomendas internacionais em 2025, contra R$ 2,88 bilhões em 2024. No mesmo período, o número de remessas internacionais destinadas ao Brasil caiu de 189,1 milhões para 165,7 milhões.