Mais de 500 mulheres quilombolas de todo o país participam, desde esta semana, da terceira edição do encontro nacional promovido pela Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) no Gama (DF). O evento, que ocorre até domingo (14), marca o lançamento do 'Plano emergencial para proteção às mulheres quilombolas defensoras dos direitos humanos', documento de 85 páginas que lista demandas a serem atendidas por diferentes instâncias de poder.

Entre os pontos do plano estão: garantias de proteção coletiva e territorial, análises de gênero e raça, direitos sociais e infraestrutura, valorização de saberes e práticas quilombolas, superação de falhas estruturais nos programas de segurança e fortalecimento de equipes multidisciplinares de apoio com respostas rápidas a riscos. Segundo a coordenadora do Coletivo de Mulheres e articuladora política da Conaq, Selma Dealdina, a iniciativa responde ao agravamento dos conflitos agrários e ambientais que vulnerabilizam lideranças quilombolas femininas.

Filme e comunicação

O evento exibiu o documentário 'Cafuné', dirigido por Gabriela Barreto, Maryellen Crisóstomo e Nathália Purificação, que mostra a tensão vivida por lideranças comunitárias ameaçadas e o impacto das mortes de mulheres como Mãe Bernadete, assassinada em agosto de 2023. A obra faz parte de um projeto a ser entregue a autoridades.

No primeiro dia, a jornalista Maria Júlia Coutinho conversou com as lideranças sobre comunicação. Ela destacou que o modo de vida quilombola deve ser celebrado. 'O quilombo é também um lugar onde se cria alegria. Não uma alegria ingênua, que desconhece os problemas quilombolas, mas uma alegria que nos move para frente, para transformação', afirmou.

Justiça climática

O lema do encontro, 'Mulheres Quilombolas na defesa por justiça climática, por reparação e democracia', busca traduzir a necessidade de resistência e ancestralidade na proteção dos biomas. Segundo a Conaq, é necessário unificar estratégias contra os impactos das mudanças climáticas nos territórios tradicionais. O evento reúne agricultoras familiares, raizeiras, benzedeiras e parteiras de diferentes regiões, representando a diversidade dos produtos dos biomas. 'Dentro dos territórios quem lidera a produção são as mulheres', afirmou a coordenadora do Coletivo de Mulheres da Conaq, Cida Souza.

A coordenadora executiva da Conaq, Sandra Braga, disse que o encontro tem a finalidade de dividir as dores, lutas e ideias das mulheres em suas comunidades, 'realizar o fortalecimento dos territórios, da nossa ancestralidade e de tudo aquilo que nós representamos'.

Com informações de Agência Brasil — Direitos Humanos — leia a matéria original.