Pesquisa do Reuters Institute divulgada nesta segunda-feira (15 de junho de 2026) revela que 47% dos brasileiros afirmam evitar deliberadamente se informar. O índice é superior à média global de 42%, registrada entre os 48 países analisados. Segundo o instituto, o fenômeno é explicado por "ansiedade e desengajamento" em relação ao noticiário.
Confiança em retração
Em 38 dos 48 países pesquisados, a confiança nas notícias diminuiu. Apenas cinco registraram alta. Em média, somente 37% dos entrevistados disseram acreditar nas notícias "na maior parte do tempo". A Nigéria e o Quênia apresentaram os maiores níveis de confiança, ambos com 68%, enquanto a Hungria teve o menor, 17%. No Brasil, a confiança ficou em 36%, uma queda de 6 pontos percentuais em relação ao levantamento anterior.
Canais de informação no Brasil
Os meios on-line — incluindo jornais digitais, podcasts e ferramentas de inteligência artificial — foram a principal fonte de notícias para os brasileiros. Em segundo lugar aparecem as redes sociais, citadas por 53% dos entrevistados. O país ocupa a segunda posição no ranking global de uso de inteligência artificial para se informar: 13% dos brasileiros recorrem a chatbots com esse fim, atrás apenas da Coreia do Sul, com 14%. A média mundial de uso semanal de IA para notícias subiu de 7% para 10% no último ano.
Entre as plataformas, 53% dos brasileiros as utilizam para se manter informados. O YouTube, que antes liderava, perdeu espaço para Instagram e WhatsApp.
Credibilidade e consumo
No ambiente off-line, a TV Globo lidera o consumo semanal de notícias, alcançando 41% dos entrevistados. No on-line, o portal g1 ocupa a primeira posição, com 35%. A CNN Brasil é a marca jornalística considerada mais confiável pelo público brasileiro (62%), seguida de perto por Record News e SBT News, ambas com 61% de credibilidade.
Queda no pagamento por notícias
O mercado digital de jornalismo enfrenta dificuldades financeiras no Brasil. A proporção de brasileiros que pagam por notícias on-line caiu para 15%, uma redução de 5 pontos percentuais em relação a 2023.