Em 3 de junho de 1986, o Brasil perdeu Augusto Ruschi, naturalista capixaba que se tornou referência mundial no estudo dos beija-flores e na defesa da Mata Atlântica. A data, às vésperas do Dia Mundial do Meio Ambiente, viria a ser escolhida anos depois para celebrar o Dia Nacional da Educação Ambiental, em referência à Eco-92.

Ruschi nasceu em Santa Teresa (ES) em 12 de dezembro de 1915. Desde criança, fugia para a mata atrás de pássaros e colecionava insetos em caixas de fósforos. Aos 11 anos, desenhava orquídeas com detalhes morfológicos. Em 1934, iniciou estudos sistemáticos sobre o comportamento dos beija-flores. Em 1939, ingressou no Museu Nacional, onde se aproximou dos botânicos Alberto José de Sampaio e Frederico Carlos Hoehne, e do zoólogo Cândido Firmino de Mello Leitão.

Em 1949, fundou o Museu de Biologia Professor Mello Leitão (MBML) em Santa Teresa, possivelmente a primeira instituição nacional a usar a palavra “biologia” no nome. O museu, que em 2014 passou a integrar o Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA), tornou-se um centro de pesquisa e conservação. Ruschi publicou mais de 400 trabalhos, entre artigos e livros, e se tornou referência mundial em beija-flores, destacando seu papel na polinização de orquídeas.

Além da ciência, Ruschi atuou na militância ambiental. Em 1953, criou a Sociedade Brasileira de Proteção à Natureza (SBPN) e, em 1958, participou da fundação da Fundação Brasileira para a Conservação da Natureza (FBCN). Ele criticou o uso indiscriminado de agrotóxicos, como o DDT, e o avanço da monocultura de eucalipto sobre a Mata Atlântica no Espírito Santo e sul da Bahia. Também denunciou a ocupação da Amazônia, classificando o desmatamento como “o maior crime do planeta”.

Ruschi não era contra o corte de árvores ou a agricultura, mas sim contra a destruição total das florestas e o uso de venenos. Ele defendia o uso racional dos recursos naturais e a espiritualização da natureza, influenciado por sua devoção a São Francisco. Sua atuação influenciou a criação das primeiras áreas protegidas do Espírito Santo.

O naturalista também se dedicou à divulgação científica, usando palestras, entrevistas e a arte para sensibilizar a sociedade. Frequentemente aparecia com beija-flores diante de câmeras, falando sobre seu papel ecológico. Apoiou os irmãos Demonte, pintores naturalistas que registraram a biodiversidade brasileira.

Ruschi morreu em 3 de junho de 1986, vítima de insuficiência hepática, hemorragias e comprometimento renal, decorrentes de doenças contraídas em suas viagens por matas tropicais, como malária e esquistossomose. Ao contrário do que se noticiou, sua morte não foi causada por veneno de sapos amazônicos.

Em sua homenagem, a Reserva Biológica de Santa Teresa passou a se chamar Reserva Biológica Augusto Ruschi em 1986. Em 1989, sua imagem foi estampada em notas de 500 cruzados novos e 500 cruzeiros. Em 1994, recebeu o título de Patrono da Ecologia do Brasil e, em 2015, o de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal do Espírito Santo. O beija-flor tornou-se símbolo de Santa Teresa em 2013.

Ruschi acreditava que a educação das crianças era fundamental para o futuro da natureza: “Enquanto não se formar a criançada na direção certa, o futuro da natureza do Brasil continuará ameaçado”. Seu legado permanece vivo na luta pela conservação da Mata Atlântica e na admiração pelos beija-flores.

Com informações de ((o)) eco.