A 30ª Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo ocorre neste domingo (7) na Avenida Paulista com o tema “A rua convoca, a urna confirma”. A edição histórica celebra três décadas da manifestação reconhecida como a maior do mundo, em meio a um cenário de desinvestimento corporativo e ofensiva legislativa contra a ocupação do espaço público.

Segundo a organização, a receita do evento caiu 60% em relação ao ano anterior, com a saída de grandes patrocinadores. Em 2024, a Parada teve 18 marcas patrocinadoras; em 2026, restaram apenas três: a patrocinadora oficial Amstel, o Grupo L’Oréal no Brasil como copatrocinadora e a Philip Morris Brasil como apoiadora. O número de trios elétricos também caiu, de 19 em 2025 para 14 em 2026.

Matheus Emílio, secretário-geral da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (APOLGBT-SP), atribuiu a queda ao movimento “anti-woke” vindo dos Estados Unidos, que tem impactado empresas multinacionais que atuam no Brasil. “Elas não destinam verbas específicas para ações de diversidade”, afirmou. As motivações individuais das empresas que deixaram de patrocinar não foram detalhadas publicamente.

Paralelamente, a Câmara Municipal de São Paulo aprovou em primeira votação, em maio, o Projeto de Lei 50/2025, de autoria do vereador Rubinho Nunes (União Brasil). O texto proíbe a participação de menores de 18 anos em eventos que “façam alusão ou fomentem práticas LGBT+”, impõe classificação indicativa e multas, e veda a interdição de vias públicas para eventos como a Parada. Na prática, a medida forçaria a manifestação para um espaço fechado.

A vereadora Luna Zarattini (PT-SP), que votou contra o projeto, classificou a aprovação como “um verdadeiro show de horrores, preconceito e ignorância” e anunciou mobilização para tentar barrar a proposta antes da segunda votação, cujo cronograma ainda não foi divulgado.

Em resposta ao duplo cerco, a organização reforçou a presença nas ruas como instrumento político. Uma das ações desta edição é o Votinho, uma urna gigante de 5,5 metros de altura instalada na Avenida Paulista, em frente ao Banco Central. A iniciativa, do VoteLGBT e do Instituto Plena Cidadania, tem o lema “Meu voto não é neutro” e busca unir arte, presença urbana e comunicação popular para estimular a participação eleitoral.

O tema da Parada, “A rua convoca, a urna confirma”, liga a ocupação da Paulista ao voto, em um ano eleitoral. A mensagem, segundo a organização, é que ocupar as ruas é importante, mas eleger representantes comprometidos com os direitos LGBT+ também é fundamental.

A programação conta com 14 trios elétricos e mais de 130 atrações, incluindo Pabllo Vittar, Gloria Groove, Melody, Urias, Jup do Bairro e Majur. A concentração começa às 10h, perto do Masp, e os trios devem se movimentar entre 12h e 13h em direção à Rua da Consolação. A recomendação é usar transporte público, com estações próximas como Consolação, Trianon-Masp e Brigadeiro (Linha 2-Verde). A previsão do tempo indica tempo firme, com mínima de 9°C e máxima de 23°C.

Com informações de Revista Fórum.