A Avenida Paulista foi tomada por milhares de pessoas neste domingo (7) para a 30ª edição da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo. Com o tema “30 anos da Parada SP: A rua convoca, a urna confirma”, o evento celebrou três décadas da maior parada LGBT+ do mundo, reunindo artistas, ativistas, parlamentares, famílias e representantes da sociedade civil.
O clima foi de celebração e valorização da memória do movimento. Participantes relembraram conquistas históricas, enquanto cartazes e discursos nos trios elétricos reforçavam a importância da participação política e da defesa dos direitos da população LGBT+.

História e contexto
A primeira edição da Parada ocorreu em 28 de junho de 1997, com cerca de 2 mil pessoas na Avenida Paulista. Antes disso, em 1996, ativistas organizaram uma manifestação na Praça Roosevelt, inspirada pela Revolta de Stonewall (1969, em Nova York). A manifestação mais antiga do Brasil foi a Marcha da Cidadania, no Rio de Janeiro, em 25 de junho de 1995.
Participação e depoimentos
A professora de música Simone Melo participou com a família e destacou as transformações: “Muita coisa mudou nos últimos 30 anos. Eu saí do armário há 20 anos. Muita coisa alterou para melhor e para pior, mas a gente está aqui em defesa dos nossos filhos, filhas e filhes”.

A deputada federal Sâmia Bomfim (Psol) ressaltou a resistência: “São três décadas de existência e resistência da maior parada do mundo. Isso mostra que o povo organizado em luta é capaz de arrancar conquistas mesmo nos contextos desfavoráveis”. Ela também comentou a redução do apoio empresarial: “Esse ano ela sofreu boicote de uma série de empresas e ainda assim está linda, está enorme, está resistindo”.
Segundo a Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (APOLGBT-SP), a edição de 2025 registrou 14 trios elétricos, contra 18 em 2024, indicando redução no número de patrocinadores.

O presidente da Aliança Nacional LGBTI+, Toni Reis, reforçou o tema: “O lema deste ano é: ‘A rua convoca e a urna confirma’. Precisamos eleger parlamentares que estejam comprometidos com os direitos humanos, com a ciência e com a educação”.
De acordo com a ONG VoteLGBT, o Brasil tem atualmente 18 parlamentares assumidamente LGBTQIA+ em mandatos legislativos. Nas eleições municipais de 2024, 225 representantes LGBTQIA+ foram eleitos em 190 cidades de 22 estados, sendo 222 para câmaras municipais e três para prefeituras.
Artistas presentes também se manifestaram. Fontana, do reality RuPaul’s Drag Race, celebrou sua primeira participação: “A potência drag é uma potência global e celebrar aqui na nossa terrinha tem um gosto muito especial”. O ator Luis Lobianco relacionou a trajetória da Parada à sua carreira: “Quando comecei a atuar, nos anos 1990, não imaginava que pessoas LGBT+ ocupariam espaços tão amplos na televisão”.
A cantora MC Trans destacou o protagonismo das pessoas trans: “A letra T é uma letra muito importante. A gente veio também na comissão de frente dessa batalha”. Linn da Quebrada chamou atenção para a vigilância coletiva: “Precisamos celebrar aquelas que vieram antes, as que estão agora e as que virão depois”.
A artista Isma, travesti periférica, afirmou: “A violência LGBTfóbica leva a gente para a pobreza, para a periferia, para a escassez. Estou muito feliz de estar quebrando aquilo que um dia foi um plano da elite branca, colonial, patriarcal e machista do Brasil”. Thiago Pantaleão completou: “Independentemente do momento, a gente vai estar aqui resistindo, tendo orgulho e mostrando para o mundo que a gente vai muito além de um mês”.
O clima permaneceu pacífico, com forte presença de equipes de segurança, brigadistas e profissionais de apoio ao longo do percurso.
Com informações de Brasil de Fato.